A estudante de jornalismo Carol Xavier, de 27 anos, residente em Sussuarana, Salvador, sagrou-se a deusa do ébano do bloco afro Ilê Aiyê em 2026, na 45ª Noite da Beleza Negra, depois de já ter ficado em 2º lugar (2023) e 3º lugar (2024), ocupando o cargo de princesa. Neste ano, Sarah Moraes (2º lugar) e Stephanie Ingrid (3º lugar) foram eleitas pelos jurados princesas do Ilê Aiyê.
No Carnaval 2026 o Ilê Aiyê homenageia a herança ancestral do povo afro-indígena de Maricá. A nova rainha do bloco, Carol Xavier, é também empreendedora, dançarina, atriz e professora de dança afro infantil. Filha da orixá Ewá, Carol falou da importância da sua família de Axé na vitória do concurso em que foi produzida pelo estilista Lucas Pissay. A nova deusa do ébano é mãe de Luara Ayo, de 6 anos, e já ocupou o título de rainha do bloco Malê de Balê em 2019, quando estava grávida.
Ao subir no palco para defender o título do Ilê, Carol conta que trouxe sua comunidade, que torceu em peso. “Muita gente trabalhou junto comigo para isso acontecer. Tive uma comunidade ao meu lado nesse processo. Quando a gente sonha junto, o voo é mais alto e bonito”.
As candidatas entraram em ordem inversa da programada e tiveram que dançar músicas diferentes das que tinham ensaiado. Quem assistia não sabia do improviso e admirava roupas, adereços e a performance de dança das concorrentes.
Homenagem
A noite foi marcada também por uma homenagem a Arany Santana, uma das diretoras e fundadoras do bloco, que apresenta o concurso. Ela recebeu o troféu desenhado por Aless Teixeira, ao lado de familiares. O filho, Tiganá Santana, cantou fazendo reverência à mãe. Já Val Benvindo, que também apresenta o concurso, realizou o sonho de dançar no palco da Senzala do Barro Preto. Uma mostra de que todos são e desejam ser deuses e deusas do ébano.
Antonio Carlos dos Santos, o Vovô do Ilê, presidente e fundador do bloco afro, falou da importância das pessoas negras no poder e de como ainda há dificuldades para a obtenção de recursos para os grupos musicais de pessoas negras saírem no Carnaval de Salvador.
Já a ministra da Cultura, Margareth Menezes, disse que a tarefa de ser jurada do concurso foi uma das mais difíceis da sua carreira. Sued Nunes e Banjo Novo também se apresentaram ao longo do noite, que teve a Banda Aiyê como grande atração de um público fiel ao bloco.
Na plateia, nomes como Mônica Anjos, Isa Silva, Preta Rara, Rita Batista, entre muitos outros que embelezaram um noite de gala, um verdadeira black carpet. O calor da Senzala do Barro Preto e o acesso ao local voltaram a ser alvo de reclamações do público.
No dia 14 de fevereiro, sábado de carnaval, a nova deusa do ébano será coroada pela estilista Dete Lima, no Terreiro Jitolu, onde o Ilê Aiyê nasceu, antes da tradicional saída do bloco pelo bairro Curuzu.












