Roteiro por São Paulo: dez dicas do Guia Negro

São Paulo tem museus, shows, festas de ruas, atividades gratuitas, diversidade e riqueza cultural que faz os viajantes com olhar mais apurado para o turismo cultural se apaixonarem. A capital paulista é também um dos lugares mais interessantes para estar em contato com a cultura e história negra.

Por aqui, cerca de 42% das 11,4 milhões pessoas, que vivem na cidade, se declaram de cor preta e parda, o que significa que são cerca de 4,9 milhões de negros na capital paulista, tornando-a cidade com mais negros fora da África. Em Salvador, cerca de 83% dos 2,4 milhões se declaram negros, somando 2 milhões de pessoas negras na capital baiana.

Então, a capital baiana percentualmente tem mais negros, mas São Paulo tem mais numericamente. No entanto, assim como muitas cidades teve a negritude apagada do seu contexto urbano, principalmente no centro. Mas quem vem a São Paulo surpreende-se com a variedade de programações e com sua negritude pulsante.

Segue o roteiro do Guia Negro:

1 – CENTRO

Foto: Heitor Salatiel/Guia Negro

Na República, é onde está a maior parte dos novos migrantes africanos, uma pequena África. Por lá, tem a Galeria do Reggae e a Galeria Sampa, que são reduto da nova migração africana, onde pode ser encontrada comida, salões de cabeleireiro, produtos ligados ao reggae e tabacaria. Veja mais aqui.

O samba rock, ritmo preto paulistano, é praticado na rua na região da galeria, principalmente na Rua Dom José de Barros, onde fica a Galeria Olido. Também há aulas gratuitas todas as sexta-feiras embaixo do Viaduto do Chá no Anhangabau com a galera do Groove 011.

Os tecidos africanos podem ser comprados na Rua Barão de Itapetinga, com a Avenida Ipiranga em bancas espalhadas pela calçada e na Loja Coração D’ África.

Há ainda lugares como a Liberdade, que não tem essa narrativa contada como deveria, mas é palco da #caminhadasaopaulonegra e tem placas do Pelourinho, do Largo da Forca e a Capela dos Aflitos, onde as pessoas negras eram, pela ordem, torturadas, mortas e enterradas nos séculos 18 e 19.

2 – ESCOLAS DE SAMBA

 

Foto: Heitor Salatiel/Guia Negro

Escolas de samba tradicionais com foco na negritude como Vai Vai, Camisa Verde e Branco, Nenê de Vila Matilde, Rosas de Ouro, Peruche, Tom Maior têm ensaios aos domingos. Algumas servem feijoada antes.

3 – SAMBAS

No Bixga tem sambas nas sextas-feiras na Rua São Vicente, no Coisa Mais Linda. Na Rua 13 de Maio há diversos bares, como o Tamarineiro. Já o Siriguela mudou de lugar para continuar existindo. Nas quartas, é dia do Samba do Bigode e nas segundas na Funilaria.

Samba da Laje acontece na Vila Santa Catarina e é uma roda de samba com feijoada. Todo segundo domingo do mês. O Samba da 27 acontece todos os domingos a partir das 16h no Grajau, na zona sul. Enquanto o Samba da Praça, anima a praça ao lado do Centro Cultural Grajau todo sábado.

No Largo da Santa Cecília, o samba rola todas as sextas-feiras a partir das 19h até às 22h. Maria Zélia, Bate Fundo, Vila do Samba, são outros redutos do ritmo. Na Barra Funda, Boteco da Dona Tati , o Bar do Sinval e o Bar do Chagas recebem rodas tradicionais. Na foto, Dois Dois têm programação quase todos os dias da semana e fica no Campos Elíseos.

4 – MUSEU AFRO BRASIL E MUSEU DAS FAVELAS

Museu Afro Brasil é o melhor sobre diáspora do mundo e mostra arte, literatura e história do povo negro. Nas quartas-feiras, tem entrada gratuita e nos demais dias custa R$ 15. O Museu Afro Brasil fica no Parque Ibirapuera, na Av. Pedro Alvares Cabral, s/n, próximo ao Portão 10, em São Paulo. Abre de terça a domingo, das 10h às 17h (permanência até às 18h). O Guia Negro faz roteiros guiados pelo museu. Reservas (com pelo menos 24h de antecedência) no: 1198994-7826.

Já o Museu das Favelas traz exposições sobre a memória e cultura das favelas. Aberto a todos os públicos, propõe uma viva programação cultural e educativa, exposições temporárias, itinerantes, virtuais e de longa duração, Centro de Referência, Biblioteca e Centro de Empreendedorismo. Traz em sua exposição permanente fotografias, textos, instalações e artes visuais sobre as quebradas. Tem sempre exposições temporárias interessantes e que atraem o grande público. Funciona de terça a domingo, 10h às 17h. Fica na região da Sé no centro histórico da capital. 📍Largo Páteo do Colégio, 148. Gratuito todos os dias.

5 – ONDE COMER NA CAPITAL DA GASTRONOMIA

Makala, um dos pratos servidos no Restaurante Biyouz

Para comer indico, o Rap Burguer, que serve hamburgueres saborosos com nome de rappers importantes na famosa Rua Augusta e reúne pessoas negras descoladas.

Biyouz, restaurante africano, abriu em 2007 e oferece pratos de diferentes países do continente na República e na Bela Vista. O Congolinaria serve comida vegana vindo do Congo e fica em Perdizes.  O Mama africa Labonnebouffe oferece comida camaronesa no Tatuapé. 

Já o Ala Jardim tem um ambiente agradável, bons drinks e culinária contemporânea.

6 – RELIGIOSIDADE

A Irmandade dos Homens Pretos construiu Igrejas Nossa Senhora Rosário dos Pretos na Penha, zona leste, e no Largo Paissandu, no centro. Ambas têm missa com cultura afro, assim como a Igreja da Achiropita, no Bixiga, que organizada a festa da Mãe Preta no mês de maio. Além de vários terreiros de religiões de matrizes africanas espalhados pela cidade.

7 – FESTAS

Batekoo Festival teve a primeira edição no Estádio Itaquerão em dezembro de 2022. Foto Pedro Pinho

De festa, é importante ficar de olho na Batekoo cena LGTQIA+e periférica, na Discopedia, que toda terça-feira das 19h às 23h traz rap, hip hop e funk e pretos descolados para a cena. Na Afrojamsp encontro de músicos que ocorre uma vez por mês nas quintas-feiras no Mundo Pensante.

festa Amem é um coletivo formado por artistas pretes LGBTQIA+ inserido na comunidade Ballroom que fomentam eventos como @paradapreta @ballveraverao @pajuball e @kikiballafrodiasporica. Já O Pente ocupa o Mundo Pensante em algumas noites de sexta-feira, com música baiana.

8 – CENTROS CULTURAIS

O Centro de Culturas Negras do Jabaquara (zona sul), o Quilombaque (Perus, noroeste da cidade), o Centro Cultural do M’Boi Mirim são referências em eventos culturais periféricos. Enquanto a Agência Popular Solano Trindade realiza atividades culturais na região do Campo Limpo e Capão Redondo, na zona sul.

A programação do Sesc que tem unidades espalhadas por toda a cidade também trazem diferentes shows, oficinas, peças de teatro e rodas de conversa. Há sempre presença de artistas negros e preços acessíveis ou entrada franca.

Já a Embaixa Preta, espaço da Feira Preta no Anhangabau, tem coworking, salas de vídeo, de podcast e espaço multiuso, além de loja colaborativa, restaurante e eventos.

Aparelha Luzia (Rua Apa, 78 – Campos Elíseos) é um quilombo urbano que funciona como centro cultural com festas, exposições, lançamentos de livros, filmes e peças

9 – SLAM/SARAU

Entre os saraus, Slam da Guilhermina, que é uma batalha de poesias que acontece toda última sexta-feira de cada mês ao lado do Metrô Guilhermina-Esperança, do lado esquerdo ao sair da catraca. O Slam Resistência circula há dez anos por diferentes espaços da cidade e a Batalha do Santa Cruz, que formou vários rappers importantes e ocorre ao lado do metrô Santa Cruz.

10 – Exposições, cinema, teatro

São Paulo tem uma programação cultural que poucas cidades do mundo recebem. É importante ficar ligado (mais uma vez) na programação do Sesc São Paulo, do Instituto Moreira Sales, da Pinacoteca, do Teatro Oficina, do Café Revista, dos teatros no entorno da Praça Rooseveelt, do Cine PetroBras (antigo Itau), do Itau Cultural, da Caixa Cultural, do Centro Cultural Banco do Brasil, entre outros, que recebem exposições, mostras, peças de teatro, festivais de cinema e apresentações artísticas gratuitas ou a preços justos.

São Paulo é um mundo a se explorar, uma cidade que não se esgota e que surpreende e encanta viajantes antenados na cultura, na noite e também na negritude que pulsa aqui.

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Redação

O Guia Negro faz produção independente sobre viagens, cultura negra, afroturismo e black business

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