O afroturismo brasileiro deu passos decisivos rumo à institucionalização e à consolidação como segmento do turismo em 2025. A ampliação da demanda a partir de escolas e público final, compensaram a leve redução da busca das empresas pós -governo Trump, nos EUA. Houve ainda a criação de guias e pesquisas por parte do Ministério do Turismo, Ministério da Igualdade Racial e Embratur. Alguns ainda deixaram de fora ações importantes do setor, mas mostram o avanço inevitável do segmento.
A realização de grandes eventos como o Black Travel Summit, no Rio de Janeiro, e o Congresso Brasileiro de Afroturismo, em Belo Horizonte, além da fundação da Associação Brasileira de Afroturismo, desenham um ano de avanços estruturais. Ao mesmo tempo, iniciativas como o Rotas Negras e o programa Viva Pequena África, do BNDES, revelam os desafios de inclusão efetiva das ações de afroturismo nos territórios. Premiações, press trips afrocentradas, guias institucionais e encontros nacionais indicam que o afroturismo deixou de ser apenas movimento e passou a disputar espaço como política, mercado e narrativa própria dentro do turismo brasileiro.
Veja 10 fatos políticos relevantes do afroturismo em 2025:
1 – Escolas consolidam demanda pelo afroturismo
2 – Rotas Negras amplia, mas ainda deixa ações importantes de afroturismo de fora
3 – O Ministério do Turismo e organizações ligadas ao setor ampliaram guias turísticos e pesquisas que sistematizam roteiros por região, enquanto iniciativas regionais e estaduais
4 – Black Travel Summit, maior evento de viajantes negros, ocorreu no Rio em novembro
5 – Viva Pequena África, do BNDES, que prevê aporte de R$ 20 milhões que é executado por CEAP, Diaspora.Black e Preta Hub, evolui pouco e gera comentários da comunidade da região
6 – Guia Prático de Igualdade Racial no Turismo lançado pela Embratur e CAF
7 – Prêmio do Afroturismo reconhece 10 categorias que se destacaram e reúne profissionais do setor
8 – Afropresstrip leva comunicadores para conhecer Belo Horizonte pela ótica do protagonismo negro
9 – Fundação da Associação Brasileira de Afroturismo
10 – Realização do Congresso Brasileiro de Afroturismo
Retrospectiva 2025:
Afroturismo Amapá
Ano de experiência e vivências. Foi ano de desafios e conquistas, com experiências e vivências em que levamos o nome do afroturismo nos 4 cantos do Amapá. O reconhecimento foi a ter a rota dos barracões no guia nacional do afroturismo. As conquistas foi a fundação da associação de agroturismo, da qual fazemos parte.
Afroturismo Hub – São Paulo
Tivemos uma queda grande nos investimentos das empresas em ações de afroturismo. Em contrapartida, realizamos consultoria para a Embratur/CAF na qual criamos o Guia Prático de Igualdade Racial no Turismo. Também fazemos parte da fundação da Associação Brasileira de Afroturismo, ABRAFRO, na qual ocupamos o cargo de presidência.
Cidade Griot – São Luís
Foi um período de amadurecimento e consolidação do nosso trabalho pelo Maranhão. Atendemos um grande número de turistas estrangeiros e de outras regiões do Brasil. Lançamos roteiros novos, e atuamos com diversas outras empresas de turismo, como a Mova Experiência, Lugarejos, Cazumbá Turismo. Compomos a rede afroturismo Nordeste, iniciativa dos mobilizadores de afroturismo da nossa região. Realizamos o 1º encontro da Rede de Afroturismo Nordeste em Recife e Olinda. A cidade Griot também conduziu o roteiro Praia Grande para mais de 30 intercambistas do Programa Caminhos Amefricanos do Ministério da Igualdade Racial, com estudantes e professores da Angola, do Peru e da República Dominicana.
Da Cor ao Caso – Maranhão
Foram mais de 500 pessoas conectadas no Caminho Ancestral, que chegou ao seu quarto ano. Apresentamos a história para intercambistas da UFMA, de países africanos como Togo, Guiné-Bissau e Guiné Equatorial. Entre os destaques, também estão as edições do Caminho Ancestral realizadas com líderes da VALE, parceria com a Academia da Vida, programa de responsabilidade social do São João da Thay; a atividade de imersão cultural junto ao SEBRAE/MA; com a AMB – Associação dos Magistrados Brasileiros, além do FONAVID – Fórum Nacional de Juízas e Juízes de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, fortalecendo o diálogo institucional.
A parceria com a MOTRIZ também marcou o ano, ao apresentar São Luís aos trainees de gestão pública da organização. Tivemos presença no MOBILIZA SLZ.
Denise dos Santos Rodrigues
O ano de 2025 trouxe marcos importantes para o afroturismo nacional e em suas frentes regionais. Em São Paulo, destaco o trabalho do GT que lançou a segunda edição do Afroturismo SP mostrando a potencialidade de todo Estado, bem como a participação do Salão do Turismo/SP. Os guiamentos nacionais e internacionais na cidade vem para consolidar a capital paulista como polo receptor, a força da comunidade e história negras na cidade. Outro ponto chave foi o primeiro Congresso de Afroturismo, realizado em Belo Horizonte, que com maestria e inovação integrou mercado, sociedade civil, academia e governo para dialogar sobre as nossas potencialidades afro-brasileiras. O público, seja a partir dos guiamentos, palestras ou aulas seguem engajados e cada vez mais atentos as nossas questões e a desvendar mais sobre nossos territórios negros.
Etnias Turismo e Cultura – Rio de Janeiro
Conseguimos consolidar nossa presença no mercado de forma significativa. Marcamos presença em eventos importantes como a Expo Rio Turismo, a Rio Innovation Week e a ABAV 2025. Um marco especial foi nossa atuação na curadoria e realização do Black Travel Summit 2025, o maior encontro internacional de profissionais de viagens e Afroturismo do mundo. Expandimos nosso trabalho no receptivo internacional e fortalecemos parcerias tanto institucionais quanto acadêmicas Foi um ano de aprendizado e crescimento.
Guia Negro
Fizemos um trabalho de consultoria 360 graus para a Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul (Sebrae MS), em demos consultoria para quilombos, realizamos a 1ª Conferência de Afroturismo do MS, lançamos o guia de afroturismo do Estado. Realizamos o 3º Prêmio do Afroturismo, dentro do WTM Brasil, realizamos o curso de afroturismo no Sesc Bertioga. Fizemos ação de caminhadas negras em diversas cidades brasileiras em maio e novembro. O aniversário de 8 anos reuniu cerca de 300 pessoas, que participaram também do lançamento do livro São Paulo Negra.
Realizamos a Caminhada Negra com diversas escolas, empresas, organizações não-governamentais e público final. Participamos de palestra dentro do Salão do Tutirsmo e do Workshop de Afroturismo da Secretaria de Turismo de SP. Durante o período do Afropunk, a Caminhada Salvador Negra esgotou. Estreamos em Palmas e apoiamos a criação de roteiro em Porto Velho. Fomos finalistas do Prêmio Nacional do Turismo, na categoria mídia e afroturismo. Participamos de palestra no Museu do Ipiranga e fizemos parcerias com o Museu das Favelas, para o qual elaboramos um estudo sobre o centro de São Paulo. Realizamos o Congresso Brasileiro de Afroturismo, em Belo Horizonte, e começamos um trabalho de mapeamento de lugares de cultura e história negra de Recife e Olinda, junto com Alafin Oyó, em edital da Aipê. Por mais um ano, fomos a única empresa com roteiros todos os sábados em Salvador. Nos consolidamos como a maior comunidade de afroturismo, chegando aos 150 mil seguidores nas diversas plataformas digitais. Realizamos caminhadas negras em parceria com a Associação dos Magistrados do Brasil pelo quinto ano consecutivo. Levamos toda a equipe da Fundação Lemann para o Quilombo Cafundó (SP).
Me Leva Cerrado – Distrito Federal
Foi um ano marcante. A agência lançou o Guia Afetivo Negro do Distrito Federal, iniciativa que valoriza empreendedores negros das áreas de moda, beleza, cultura, turismo, religiosidade e gastronomia. Nos consolidamos como referência no turismo cultural e no afroturismo em Brasília. Bianca D’Aya, idealizadora da agência, realizou palestras sobre antirracismo e apresentou o Tour Brasília Negra em escolas públicas, particulares e entidades como o SENAI e a OAB. Integramos a programação de relevantes eventos nacionais, entre eles o 1o Fórum Brasileiro de Turismo Responsável, o CBAfro, o Salão do Turismo e o Seminário Rotas Negras, promovido pelo Ministério da Igualdade Racial, em Brasília.
Em novembro, o Tour Brasília Negra foi realizado em parceria com o Guia Negro, o Senado Federal e o BB Black Power. Fundou a Abrafro e foi finalista do 3o Prêmio do Afroturismo 2025. O Tour Brasília Negra alcançou projeção nacional ao integrar catálogos oficiais como o Guia do Afroturismo no Brasil (UNESCO e Ministério do Turismo) e o Conheça o Brasil – Edição Especial COP30 (MTur).
Luana de Oliveira Ferreira
As palavras que definem 2025 são “projeção e visibilidade”. Guiei os diretores do J-PAL, centro de pesquisas baseado no MIT da Esther Duflo, vencedora do Nobel de Economia de 2019. Realizei um workshop para a galera do MotoTour Rocinha. Apresentei um Pitch no stand do SEBRAE na WTM Latin America, em Sampa. Participei da Primeira Ação Social de Páscoa dos Guias da Rocina. Como integrante do núcleo do Conselho de guias participei de inúmeras ações e reuniões ao longo do ano junto ao app Na Favela Turismo e SEBRAE RJ. Palestrei na ExpoRio Turismo a convite do SEBRAE RJ. Ao longo do ano realizei roteiros pedagógicos para escolas públicas da cidade pelo Projeto Lá Vem História/Parceiros da Educação.
Palestrei no evento Check In Turimo SEBRAE e no I Sem. de Afroturismo de Maricá. Através da Sou Mais Carioca, guiei parte do elenco da próxima novela das 18h.Ao longo do ano prestei serviço as agências de turismo receptivo mais renomadas da cidade. Isso me fez aparecer na revista Virtuoso.
Ministério do Turismo – Programa Rotas Negras
Elaboração do Diagnóstico de Políticas Públicas de Afroturismo no Brasil, que mapeia desafios e oportunidades do segmento; o Mapeamento do Ecossistema do Afroturismo no Brasil, estudo inédito que traz informações sobre o mercado do Afroturismo; e a publicação da Guia do Afroturismo no Brasil, em parceria com a UNESCO. Outro avanço foi o estabelecimento de um conceito institucional de afroturismo.
Também se destacam a criação do Comitê Gestor, que coordena as ações interinstitucionais, e a realização de eventos estratégicos para debater políticas e aproximar comunidades e empreendedores locais da iniciativa, como o Seminário “Afroturismo e a Luta contra a discriminação racial”.
O Programa Rotas Negras ganhou protagonismo em eventos nacionais relevantes. Foi apresentado no Salão do Turismo e no Festuris – Feira Internacional de Turismo de Gramado, onde teve destaque no Espaço Diversidade. As palestras sobre o tema atraíram um público expressivo, evidenciando o crescente interesse do trade turístico pelo tema.
O afroturismo passou a integrar o Prêmio Nacional do Turismo como categoria de destaque. Essa atuação integrada fortalece o afroturismo como segmento estruturante da política nacional de turismo e como vetor de desenvolvimento econômico, social e cultural.
Mochilando Afroculturas
Foi um ano intenso e valoroso. Pedidos para palestras sobre Afroturismo no interior do Estado, em cursos de formação de Guias de Turismo e poder público. Na educação, realizamos Caminhadas para escolas públicas, particulares e universidades; tornamo-nos estudo de caso em 3 TCCs, 1 dissertação de mestrado e 1 tese de doutoramento. Na cultura, dois documentários foram produzidos a partir de dois roteiros nossos. Escrevemos um capítulo em livro publicado pela UNIFESP. Também provocamos uma ação reparatória de substituição do nome de um escravizador pelo de um quilombola do Quilombo do Jabaquara, de Santos. Por fim, conseguimos a revitalização da área onde existe o marco do Quilombo do Jabaquara.
Okan Educação e Turismo de Experiência – São Paulo
Percebemos maior articulação entre poder público, instituições culturais e empreendedores negros para mapear roteiros, apoiar guias e fortalecer a economia criativa. Esse movimento ampliou a visibilidade do Afroturismo e atraiu atenção em feiras e eventos do setor. A Okan se destacou como uma agência de turismo de experiência focada na divulgação da cultura afro-brasileira e suas origens, com atuação em São Paulo e em roteiros pelo Brasil que valorizam a memória, história e herança cultural negra. Nossos roteiros de caminhada pelo Centro, Bixiga e Museu Afro atenderam empresas interessadas em fazer seus colaboradores entenderem melhor a história negra, entre elas: Petrobras, Siemens, Eudora, PMSP. Trabalhamos com Turismo Pedagógico levando escolas em nossas caminhadas e também criando roteiros exclusivos. Trabalhamos com o seu segmento recreativo, fazendo algumas festas de formatura.
Rotas Afro – interior paulista
O Rotas Afro chegou a Sorocaba (SP). Em 2025, conquistamos o Prêmio do Afroturismo na categoria “Melhor Experiência Fora do Eixo”. O acervo Rotas Afro XR passou a contar com 12 obras de realidade virtual e aumentada, todas com tradução para o inglês e recursos de acessibilidade, e circulou por mais de 12 cidades do interior paulista.
O Rotas Afro nas Escolas também cresceu: atendemos 11 mil estudantes em Campinas, Piracicaba, Vinhedo e Rio Claro. Em Campinas, foram criados três novos roteiros específicos para cada série escolar, ampliando para quatro roteiros de afroturismo. Também passamos a integrar o Guia de Afroturismo do Estado de São Paulo.
Recebemos mestres e grupos tradicionais nos roteiros e distribuímos o Mapa da Cultura Negra de Vinhedo para mais de 200 pessoas. Foi um ano de crescimento, consolidação e intensa produção de novas pesquisas. Nos preparamos para lançar o Rotinhas Afro, uma série de roteiros de afroturismo dedicados a crianças de 6 a 11 anos.
Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo
Temos desenvolvido uma agenda contínua e estratégica para o fortalecimento do Afroturismo no estado, com ações voltadas à valorização da memória, da ancestralidade e do protagonismo da população negra. Entre os destaques, está a realização do 2o Workshop Afroturismo SP, que promoveu o diálogo com gestores públicos, lideranças, pesquisadores e o trade turístico, contribuindo para a qualificação das políticas públicas e para a consolidação do segmento. Soma-se a isso o lançamento do Guia Turístico de Religiões de Matrizes Africanas e Indígenas.
Outro marco foi o lançamento da segunda edição do Guia Turístico Afroturismo SP, que ampliou de forma expressiva o mapeamento do segmento no estado. A publicação evoluiu de 10 roteiros para 27 cidades, reunindo 14 atrativos, 24 roteiros turísticos e 3 festividades.
Sensações Turismo – Minas Gerais
Foi ano de consolidação e ampliação na atuação no Afroturismo em Minas. Foram realizadas mais de 20 caminhadas afrocentradas. Lançamos mais de dois roteiros estruturantes — a Rota Vidas Negras, em Belo Horizonte, e o AfroCipó, na Serra do Cipó. Tivemos um papel estratégico com participação ativa de eventos, fóruns, festivais e encontros nacionais e internacionais. Destaca-se, a capacitação sobre Afroturismo realizada na Travel Next Minas, além de palestras, oficinas e participações em espaços como WTM, Expo Favela MG, Festivais de turismo – como o Fórum Sabará e o Macucultura, encontros de gestores e iniciativas do Sebrae, universidades e organizações comunitárias.
Somos uma das empresas fundadoras da Associação Brasileira de Afroturismo. Idealizamos e realizamos o 1o Congresso Brasileiro de Afroturismo (CBAfro), em Belo Horizonte — que reuniu lideranças, empreendedores, pesquisadores, gestores públicos e comunidades para pensar o presente e o futuro do Afroturismo.












