Martinho da Vila vai ganhar no Rio maior monumento a uma personalidade negra brasileira

O cantor, compositor e escritor Martinho da Vila, um dos maiores ícones da música popular brasileira, vai ganhar um monumento com 14 metros de altura na Praça Barão de Drummond, em Vila Isabel, no Rio de Janeiro, bairro diretamente ligado à trajetória do artista.

A instalação das bases começou em 24 de janeiro, quando o prefeito do Rio, Eduardo Paes, entregou a Martinho uma réplica em miniatura da estátua do artista que vai compor o monumento e apresentou o projeto ao músico.

– Quem me ensinou a amar o samba e a entender a alma do carioca foi o Martinho da Vila. Não tem poeta vivo neste país que chegue aos pés do talento dele – disse o prefeito.

Após ser recebido com uma apresentação da bateria da Unidos de Vila Isabel, Martinho falou sobre o monumento.

– É a maior homenagem que posso receber na vida. Eu estou muito feliz, com meu coração batendo forte. Estou ganhando flores em vida – destacou o sambista.

Grandes proporções


Este será o primeiro monumento de grandes proporções erguido no Rio de Janeiro em homenagem a uma personalidade desde o monumento a Zumbi dos Palmares, inaugurado no Centro do Rio em 1986. A instalação integra, segundo a Prefeitura, um conjunto de ações voltadas à valorização da memória, da cultura popular e de personalidades que contribuíram para a identidade cultural do Rio de Janeiro.

A homenagem a Martinho se une ao monumento de Noel Rosa, no início do Boulevard 28 de Setembro, ambos ligados pelo calçadão musical que cruza o bairro e passa também pela quadra da Unidos de Vila Isabel.

Em setembro de 2025, as equipes da Secretaria de Conservação realizaram as medições oficiais de Martinho da Vila em sua residência. A etapa marcou o início de uma nova fase do projeto, que culminará na entrega do monumento, prevista ainda para o primeiro semestre de 2026.

O projeto foi idealizado pelo carnavalesco Paulo Barros, com inspiração na música “Canta, canta, minha gente”, lançada em 1974 e um dos maiores clássicos do artista. A escultura será assinada pelo artista Mario Pitanguy, mesmo autor da estátua do ídolo Zico, em Quintino, e vai retratar Martinho da Vila sobre uma grande coroa, uma referência direta ao legado da escola de samba “Unidos de Vila Isabel”.

Com mais de 14 metros de altura, o monumento retrata Martinho em uma estátua de bronze sobre a coroa, cantando para uma plateia formada por silhuetas de pessoas reproduzidas em aço. Considerando outros monumentos pelo país, esse será um dos maiores em homenagem a personalidades ou cultura negra.

Monumento terá mais de 14 metros de altura.

O monumento tem dimensões semelhantes como a estátua de Dom Pedro I, na Praça Tiradentes; o chafariz do Mestre Valentim e a estátua de General Osório, ambos na Praça XV.

Outras estátuas

O Monumento à Diáspora Africana, em São Luís, por exemplo, é composto por oito painéis artísticos de 6 metros de altura por 4,80 metros de largura cada. Já em Macapá um monumento em homenagem aos povos indígenas, negro, cabloco e ribeirinho tem 17 metros de altura por 8 metros de dimensão.

A estátua em homenagem a Mãe Stella de Oxóssi, localizada na Avenida Magalhães Neto, em Salvador, possui 8,5 metros de altura. Já os monumentos aos orixás no Dique do Tororó, em Salvador, criados por Tatti Moreno tem oito esculturas flutuantes no espelho d’água com cerca de 7,5 metros de altura, enquanto as quatro esculturas localizadas em terra firme possuem aproximadamente 3,5 metros.

Em São Paulo, estátuas como de Madrinha Eunice, Geraldo Filmes e Itamar Assumpção medem apenas 1,67 metros.

Boulevard e Kaza 123

As obras ocorrerão em duas frentes simultâneas: uma dedicada à confecção da escultura e outra à construção da estrutura da coroa. Com a instalação do monumento, a Praça Barão de Drummond, em Vila Isabel, também passará por revitalização, reforçando o compromisso com a preservação dos espaços públicos e com a valorização da cultura carioca.

O Boulevard 28 de setembro já possui cifras e alusões a Noel Rosa, ligando a Praça Barão de Drummond à escola de samba Vila Isabel, que realiza seus ensaios na quadra e também na rua. A cerca de 300 metros dali fica a Kaza 123, restaurante chefiado por Maria Júlia Ferreira e Lica Oliveira.

O espaço apresenta como carro-chefe o angu e serve também outras delícias como feijoada, bobó de camarão, arrumadinho. Para além de um empreendimento gastronômico, o Kaza é um reduto político que reúne diversos artistas, militantes e outros nomes importantes da comunidade negra no Rio e no país, além de abrigar a Kitabu Livraria. Fica na Rua Visconde de Abaeté, 123, Vila Isabel.

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Redação

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